
Quando procuramos a visão de Deus sobre o ser humano, buscando em sua palavra, entendemos o quanto cada pessoa deste planeta é importante para Deus, porque, afinal, Ele amou o mundo inteiro (Jo 3.16), e incluiu todas as pessoas, dos quatro cantos do planeta em seu plano de salvação (Mc 16.15). Salvação que se origina e se concretiza por intermédio de Cristo (Hb 12.2), pois “a salvação só pode ser conseguida por meio dEle. Pois não há no mundo inteiro nenhum outro que Deus tenha dado aos seres humanos, por meio do qual possamos ser salvos.” (Atos 4:12). Inclusive o próprio Cristo, apresentou-se como o único que pode levar o homem de volta a Deus (Jo 14.6). Nele, fazemos as pazes com Deus (2Co 5.19-20), e nos tornamos seus filhos (Rm 8). Essa tão grande salvação (Hb 2.3) que encontramos nEle, alcança o ser humano em sua plenitude, disseminando-se em todos os aspectos de sua vida (1Ts 5.23).

Inclusive, quando observamos na biografia de Jesus, registrada pelos evangelistas bíblicos, a obra de Cristo, somos surpreendidos pelo amor que ele mostra às crianças (Lc 18.16), sua atenção aos mendigos (Mc 10.46-47), sua preocupação com a fome quando alimentou as multidões (Mt 14), sua compaixão quando curava os enfermos, principalmente porque se compadecia deles, devido às suas dores e sofrimentos (Mt 14.14). Até mesmo em seus ensinos sobre amor (Mt 19.19), misericórdia (Mt 9.13), ajuda ao próximo (Lc 10.33), percebemos o quanto o coração de Deus está voltado para o cuidado aos necessitados.
O apóstolo Pedro afirmou em sua descrição de Cristo e de sua missão na terra, que Ele era ungido pelo Santo Espírito para curar, libertar e fazer o bem (At 10.38). Deste modo, o envolvimento de Cristo com os problemas sociais, sua atenção aos sofrimentos provenientes das demandas do cotidiano, faziam parte de sua missão, uma vez que Ele mesmo disse que seu foco estava em fazer a vontade do Pai (Jo 4.34; 5.30). Sua missão certamente incluiu amenizar o sofrimento humano em todas as dimensões. Quando Cristo falava de amor ao próximo, todos que observavam suas atitudes e reações sabiam do que se tratava. Porque Ele de fato nos amou. Ele nos ensinou como fazer a obra de Deus deixando-nos exemplos bastante claros (Jo 13.15).
Entretanto, hoje quando a Igreja procura propagar o evangelho levando a salvação de Deus a todos os homens, ela o tem feito de forma parcial. Focalizando apenas a vida eterna, como se fossem postergados quaisquer expectativas de uma vida menos sofrida nesta terra.
Geralmente o funesto pacote apresentado segue duas polaridades dispares da verdade, ou se recebe Cristo e se conforma com a miséria e abstém-se de qualquer melhora, ou por extremo, se pensa mercadologicamente acerca da fé, pregando-se uma prosperidade destituída do amor ao próximo e carente de solidariedade aos necessitados. Quando na realidade dever-se-ia pregar uma salvação integral, cujo amor de Deus modifique nosso modo de enxergar os sofrimentos do próximo e nos envolva na busca de soluções para amenizar e até erradicar seus sofrimentos.
Socorrer os necessitados é uma ordem de Deus (Sl 41.1) para qual nenhum dos que propagam o amor de Cristo poderiam ignorar (Dt 15.7). Tiago, apóstolo, afirma que até mesmo a fé, por intermédio da qual a salvação é alçada (Ef 2.8), se manifesta em boas obras, levando comida aos famintos e roupas aos que estão nus, ou sofrendo de frio (Tg 2.15-18).

Portanto, a salvação de Deus inclui a transformação do ser humano, levando-o a preocupar-se com o próximo e a solidarizar-se com ele. Cada cristão precisa assumir sua responsabilidade social, e, logicamente a Igreja precisa envolver-se, porque fomos comissionados também à pratica de boas obras (Ef 2.10), através das quais o mundo também perceberá nossa fé e compromisso com Deus (Mt 5.16).
A Igreja precisa enxergar o mundo não apenas como um campo evangelístico, onde ecoa-se a mensagem dos evangelhos, mas, como lugar onde o amor de Deus falado é confirmado na cuidado aos menos favorecidos, o envolvimento com as questões sociais, a busca por condições melhores de vida e na indignação a exploração, injustiça e indiferença. Seguindo o conselho do escritor aos Hebreus precisamos urgentemente, entender que a salvação envolve o homem, e busca resgatá-lo de seu sofrimento, por isso, em tempo:
“ Consideremo-nos também uns aos outros,
para nos estimularmos ao amor e às boas obras.”
(Hebreus 10:24 RA)
