"iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos" (Efésios 1:18)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Milagres mágicos para Evangélicos pós-modernos

Ao longo das eras de sua existência a Igreja sempre enfrenta o pensamento dominante. Nem sempre ela se opõe as injustiças presentes, ou se dispõe a discutir sobre seu tempo, procurando implementar alterações na sociedade de acordo com a visão do Reino de Deus. O que se percebe, se tomarmos por base os movimentos religiosos que buscam visibilidade como mecanismo de expansão religiosa, é que cada um, luta pelo reino de sua “denominação”. Não são poucos que lutam pela hegemonia e pelo domínio do “mercado religioso”. A espiritualidade se tornou negócio lucrativo.



As angústias da população, provenientes da carestia geral, “os” transporta aos “locais de fé” em busca de alento e esperança. Infelizmente a maioria destes locais, pontuados pelo tele-evangelismo como o “lugar da bênção”, não faz mais do que vender a promessa da mudança instantânea e fantástica, por intermédio de um milagre. Deste modo os problemas causados pelas injustiças sociais continuaram existindo, inclusive porque não há uma proposta de mudança das atitudes humanas, que causam as diferenças, mas, apenas uma interrupção das conseqüências vividas, por tais desajustes.


Essa tendência tem se difundido por alguns grupos, queira Deus que muitos outros não se enveredem por esse caminho. Olhar a Bíblia em busca de fragmentos que possibilitem promessas de soluções instantâneas para os problemas humanos parece atrativo para o homem pós-moderno desesperado pela evitação da dor e da frustração.


Entretanto, ainda que os milagres de fato aconteçam, grande parte dos sofrimentos e das dificuldades que afligem a humanidade, são criados e mantidos pela configuração econômica, política e social. Ao incentivar essa mudança mágica, sem construção, sem empenho, sem transformação, sem responsabilidades ou compromissos sociais, faz-se de cada contemplado um eleito para fora do sofrimento, no qual os demais são condenados a permanecer.


O milagre se torna mais um meio de exclusão social.



De modo similar, a ausência do milagre é explicada pela fraqueza do fiel, ou pela guerra espiritual que ele enfrenta. Ninguém se atina para o fato, de que são as construções sociais humanas que fomentam os desajustes e as crises. Certamente a solução deveria estar numa reformulação do modo de ver a vida, de ver o próximo, de ver todo o planeta. O milagre necessário para toda a humanidade, depende da mudança de entendimento da própria humanidade.



A Bíblia em sua totalidade apresenta os fundamentos dos dilemas humanos e fornece respostas para uma renovação social. Mas, para isso, é preciso reavaliar a teologia praticada pela Igreja. Porque é por intermédio da Igreja que as revoluções se iniciam. Ela é a catalizadora das revoluções. Mas, para isso, ela deve olhar para o mundo no qual esta inserida como restauradora da sociedade. Se a Igreja se rende ao século no qual esta inserida, ela perde sua salinidade (Mt 5.24-25). Conseqüentemente, perde sua função nesta terra. Sua missão é agir neste mundo de acordo com os princípios do reino de Deus. Se ela assim o fizer, sempre revolucionará a comunidade ao seu redor.


Em busca de cumprir então sua função, a Igreja deve buscar no Conselho de Deus, reflexões que possibilitem a formulação de ações que resultem em transformações da realidade. É preciso contemporanizar as ações da Igreja, por intermédio de uma releitura da fé. Inclusive para levar a verdadeira libertação do Filho de Deus a toda humanidade. Discutir as questões sociais a partir de uma interlocução com os princípios de justiça do reino de Deus. Princípios eternos de um Reino que esta por vir, mas, que já pode ser experimentado nesta vida por intermédio dos representantes deste reino. A igreja arrancada da “escravidão aos ditames do mundo”, precisa implantar os ideais de justiça do reino para o qual ela foi resgatada.

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