"iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos" (Efésios 1:18)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Um grande perigo: Príncipes com mentes de Escravos.


Se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje vos ordeno, de amar o SENHOR, vosso Deus, e de o servir de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, darei as chuvas da vossa terra a seu tempo, as primeiras e as últimas, para que recolhais o vosso cereal, e o vosso vinho, e o vosso azeite. Darei erva no vosso campo aos vossos gados, e comereis e vos fartareis. Guardai-vos não suceda que o vosso coração se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos prostreis perante eles; que a ira do SENHOR se acenda contra vós outros, e feche ele os céus, e não haja chuva, e a terra não dê a sua messe, e cedo sejais eliminados da boa terra que o SENHOR vos dá.” (Deuteronômio 11:13-17 RA)

Os princípios que constam nestes cinco versículos foram ditos pela primeira vez ao povo de Israel anos após a libertação da servidão egípcia, um pouco antes da entrada deles na terra prometida por Deus, onde eles se estabeleceriam. Certamente o povo que ouvia estas recomendações se emocionava em saber que tão próximo estava o fim da jornada pelo deserto e o inicio de uma nova história. Eles completariam realmente um grande salto, pois aquele povo rendido a escravidão havia sido milagrosamente salvo por Deus. Ele os retirou da escravidão e agora iria colocá-los como donos de uma terra repleta de possibilidades para se prosperar. Era a realização de um sonho que eles nem si quer sonharam. A escravidão em que viviam ia além dos grilhões físicos e os mantinham mentalmente rendidos a miséria. Deus fez àquele povo o inimaginável. Aqueles que nunca tiveram nada, nem mesmo o direito de viver em liberdade se tornariam proprietários de riqueza. Que maravilha! Que perigo...


Toda essa mudança de vida continha um perigo sutil, eles poderiam se encantar tanto com tudo que conseguiriam que acabariam deixando Deus em segundo plano. O brilho das riquezas poderia cegá-los, dominá-los e de repente o povo que era escravo no Egito, a serviço das megalomanias de faraó, agora livres, se submeteriam a uma nova escravidão: ao desejo de possuir cada vez mais, uma vida em função da aquisição e da satisfação das temporárias necessidades desta vida transitória.


É por isso que Deus chama atenção do povo para a necessidade de “amá-lo” e de “servi-lo”. Esse era o único jeito daquele povo permanecer livre. Ao renderem-se a Deus conseguiriam colocar todas as coisas desta vida, inclusive as riquezas no lugar delas: em segundo (Mt 6.33-34). Ele sabia muito bem que aquele povo corria o risco de valorizar mais o que nunca tiveram quando escravos do que a própria comunhão com Deus. A prosperidade traz consigo esse risco. Jesus já alertava para isso, declarando o poder de influencia que as riquezas exercem sobre a humanidade quando dizia:


“ Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mateus 6:24 RA)


Dentre tantas possibilidades para desvio da adoração, para estabelecimento de ídolos, Cristo apresenta as “riquezas” como grande adversário da adoração a Deus. Justamente por se tratarem do grande desejo da humanidade. Pessoas matam, se vendem, corrompem, cometem genocídios por causa da riqueza. Por amor ao dinheiro muito são capazes das maiores atrocidades (1Tm 6.10), inclusive, não são poucos que desviaram-se da fé porque em busca de aumentarem suas rendas precisam manter o foco, retirando tudo mais da posição de prioridade, colocando como secundário, inclusive Deus, a família, a saúde, a ética, o caráter, os princípios, a preservação da natureza, da vida e da dignidade humana. Tudo mais é colocado em posição de menor valor. De fato, as riquezas parecem suprir, ou, ao menos possibilitam inúmeros artifícios e ilusões que entorpecem o ganancioso, fazendo-o acreditam que seguindo sua obsessão por ganho terminará bem sucedido.


O grande escritor Willian Shakespeare, poeta e dramaturgo inglês escreveu sobre os maiores dilemas da humanidade. Ele quase sempre retratou a vida dos abastados. Eram os conflitos dos nobres. Dizem que assim ele fazia porque os problemas que os pobres de sua época apresentavam podiam ser facilmente resolvidos pelo dinheiro. Assim para eles havia esperança. Mas, os ricos, que desconheciam os problemas dos pobres, sofriam de questões existenciais maiores. Para eles a frustração com essa vida e a desesperança na materialidade norteava seus conflitos. O dinheiro não os tornava melhores, nem garantia-lhes uma vida feliz ausente de angústias. O que lhes faltava para viver não podia ser comprado, mas, é graciosamente concedido:


“Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mateus 4:4 RA)


Não se vive apenas das coisas desta terra! Precisamos de Deus, de comunhão com o Pai, mais do que de qualquer outra coisa. Sem o Pai ficamos vazios, perdidos, desnorteados, fragilizados e facilmente escravizáveis. Esse era o perigo que aqueles ex-escravos corriam. O gosto de ter o que nunca se havia tido poderia seduzi-los. Seriam consumidos pela cobiça. Colocariam todas as demais coisas a serviço da busca incansável por ganho. Até mesmo Deus acabaria sendo considerado como fonte explorável para produção de riquezas. A religião deles se tornaria materialista, novamente presa no pior dos grilhões: a transitoriedade!


Eles corriam o risco de amar o dinheiro, a terra, suas casas, seus banquetes, a fama, status e satisfações e prazeres. Deus sabia que se amassem as coisas deste mundo (1Jo 2.15-17), acabariam servindo como escravos a um novo e perverso senhor, que sugaria todo o tempo, fôlego e adoração deles. Por isso Ele preveniu-os dizendo que eles deveriam “amá-lo” de modo ativo, ou seja, “servindo-o”. Não basta sentir que Deus está em primeiro lugar, é preciso agir. É preciso servir. É preciso colocar todas as coisas desta vida a serviço de Deus, inclusive a própria vida. O que reservamos e retiramos do domínio de Deus, tende a se tornar um deus para nós. Se você não serve a Deus com seu tempo, seu dinheiro, seus talentos, certamente, eles limitarão você na sua entrega a Deus, e rapidamente, você será escravo destas coisas.


Precisamos avaliar nosso interesse por Deus e nosso interesse pelo dinheiro. Ele não nos libertou da escravidão do pecado (Tt 3.3; Jo 8.34) para que sejamos escravos novamente. Precisamos nos definir. Não podemos servir a dois senhores. Se escolhermos as riquezas, não teremos tempo para Deus, nem motivação para servi-lo, na verdade serviremos ao dinheiro com nossa religião. Mas, se escolhermos a Deus, colocaremos as riquezas em seu devido lugar, a serviço de Deus.


Repito: Deus não nos libertou para que fossemos escravos novamente. A semelhança do povo hebreu saído do cativeiro, fomos libertos para servirmos a Deus:


“ Deus lhe respondeu: Eu serei contigo; e este será o sinal de que eu te enviei: depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus neste monte.” (Êxodo 3:12 RA)


“ Porque os filhos de Israel me são servos; meus servos são eles, os quais tirei da terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.” (Levítico 25:55 RA)


Servir ao Senhor é manter em ordem a vida, colocando o valor devido a cada coisa. Sem jamais priorizá-las de tal modo que até a nossa vida fique a serviço delas. Daí, voltamos ao pensamento original de Deus quando criou o homem: Ele não somente deu todas as coisas para subsistência da humanidade, como a responsabilizou de protegê-las e cultivá-las (Gn 2.15). A medida que a criação se mantêm como secundaria o homem consegue usar dela com critério sem usuras, mas, se ela se torna seu único desejo, ele se perde e a perde também. Ao tentar preencher o lugar de Deus com coisas o homem tenta tampar um buraco cavando outro.


Decida-se. Se Deus for colocado em segundo lugar nada será suficiente para te realizar. Mas, com Deus sua vida será diferente. Lembre-se da época em que você foi mais feliz em sua vida, se você já teve experiências com Deus, essa época com certeza está ligada a Ele. Entregar-se a Deus para amá-lo e servi-lo deve ser nossa prioridade. A fazermos isso certamente nos achegaremos a Ele:


“ Ao SENHOR, teu Deus, temerás; a ele servirás, a ele te chegarás e, pelo seu nome, jurarás. Ele é o teu louvor e o teu Deus, que te fez estas grandes e temíveis coisas que os teus olhos têm visto.” (Deuteronômio 10:20-21 RA)


“ Andareis após o SENHOR, vosso Deus, e a ele temereis; guardareis os seus mandamentos, ouvireis a sua voz, a ele servireis e a ele vos achegareis.” (Deuteronômio 13:4 RA)


Talvez você durante toda essa mensagem tenha argumentado e defendido sua desobrigação de servir ao Senhor, afirmando que somente os vocacionados para o sacerdócio é quem devem atuar na obra dEle. Não se esqueça que cada um de nós deve servir a Deus, pois, há um chamado geral para sermos suas testemunhas (At 1.8; Is 43.12), evangelizadores (Mc 16.15), discipuladores (Mt 28.18-20), embaixadores (2Co 5.18-21), ou seja, todo aquele que crê em Deus deve compartilhar isso, deve ser anunciador desta maravilhosa oportunidade dada ao homem de viver em Cristo:


“ Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1 Pedro 2:9 RA)


Trata-se de um relacionamento real, que amadurece com o passar do tempo, que fortalece a entrega pessoal a Deus. Ao se priorizar ao Senhor, conseguimos dar o valor real às coisas que compõe a nossa vida. Assim, sem grandes riscos podemos receber a prosperidade, porque ela não será prioridade, mas, serva de Deus:


“ Servireis ao SENHOR, vosso Deus, e ele abençoará o vosso pão e a vossa água; e tirará do vosso meio as enfermidades.” (Êxodo 23:25 RA)


Se falharmos nisso, para nosso o bem, Deus suspende as bênçãos:


“ Porquanto não serviste ao SENHOR, teu Deus, com alegria e bondade de coração, não obstante a abundância de tudo. Assim, com fome, com sede, com nudez e com falta de tudo, servirás aos inimigos que o SENHOR enviará contra ti; sobre o teu pescoço porá um jugo de ferro, até que te haja destruído.” (Deuteronômio 28:47-48 RA)


Sejamos então diligentes em amar e servir ao Senhor. Isso é prioridade, prosperidade é conseqüência, se isso não for para nós grande tentação.

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